NOTÍCIAS


Os caminhos do sucesso

O Prof. Edmilson Motta, coordenador do Etapa, relaciona os fatores que influenciam no bom desempenho dos candidatos nos vestibulares e destaca uma mudança nos exames de 2017 da Fuvest e da Unicamp, com a redução da contextualização na formulação de questões, que se apresentaram mais diretas, sem perda da complexidade. Também comenta a queda nas notas de corte da Fuvest e destaca a importância dos simulados para a melhor preparação dos vestibulandos.

Um conjunto complexo de fatores influencia nos resultados dos estudantes nos vestibulares, entre eles conhecer muito bem as provas – o que se alinha com o conteúdo desta edição de Tendências do Vestibular, que avalia os últimos exames das universidades públicas do Estado de São Paulo, da Unifesp (federal) e do Enem.

“Conhecer as provas permite que o candidato domine os temas mais recorrentes e consiga as notas de que precisa para entrar no curso que deseja”, orienta o prof. Edmilson Motta. Mas ele ressalva que por mais que o candidato se dedique e alcance um conhecimento mais completo sempre haverá pontos em que não atingirá a maestria que poderia ter.

“Para minimizar as defasagens é preciso trabalhar muito. O candidato precisa ter determinação. Cada exercício a mais que resolve, cada minuto a mais que dedica a uma leitura, a um entendimento melhor dos textos nas várias disciplinas pode ser o que na hora “h” fará a diferença no resultado, porque cada vez é mais verdade que um ponto pode decidir tudo.

 

Entrevista

 
Nessa preparação, quais devem ser a iniciativas do candidato?

“Em princípio, quem estuda e segue orientações já encaminha seu preparo, principalmente para os cursos mais concorridos. Notadamente em Medicina, o estudante não tem muita margem para deficiências em sua formação. O candidato que busca um curso com essa exigência deve ter um preparo seguro para encarar qualquer tipo de exercício nos exames. Tem que aproveitar toda oportunidade de formação, de treino em resolução de exercícios para atingir um desempenho de alto nível. Em outros cursos também exigentes os erros não são tão impeditivos como na Medicina, mas seguem na mesma direção. Um bom preparo é decisivo para ingressar em Jornalismo, Economia, Engenharia, Direito e outros cursos”.

 
O que se pode esperar dos exames de 2018?

”Devem seguir o roteiro dos vestibulares de 2017, em que o grande destaque, principalmente na Fuvest e na 1ª fase da Unicamp, foi o retorno a questões mais diretas. As provas evitaram o excesso de contextualização, notadamente em Matemática e Física, sem que isso tenha significado redução em sua complexidade. Os exames vieram com cara dos vestibulares mais antigos, com questões complexas de enunciados simples. É um revival, o ressurgimento de um estilo dos vestibulares de 30 anos atrás, muito focados no conhecimento específico de cada disciplina. As questões tinham enunciados curtos, com perguntas bem diretas – o que é isto, calcule, resolva isto. “

"É um avanço, um grande passo, perceber que não é contexto que traz qualidade para todo tipo de questão. Isso ficou bem claro no último vestibular. Os responsáveis pelos exames perceberam que a contextualização, além de tornar as provas mais longas, não acrescenta qualidade às questões de todas as disciplinas. Em História isso certamente traz mais qualidade à questão, em Geografia nem se fala, colocar um mapa, por exemplo, enriquece muito a formulação. Em Química também. Como a Química tem presença na indústria, nos processos de produção, pode-se trazer uma informação extra para o candidato verificar como seu conhecimento de Química se aplica a situações que têm um contexto mais relevante. Mas em Matemática e Física esse formato fica muitas vezes artificial. Entra um texto desnecessário apenas para poder perguntar alguma coisa. Não é qualquer questão que se torna mais interessante com uma contextualização. Às vezes até fica bastante artificial na sua formulação. “

 
O que mudou esse formato mais simples e levou à adoção da contextualização?

“A Vunesp, antes do Enem, começou a se preocupar com a chamada contextualização, que é colocar as perguntas dentro de um contexto de relevância, cobrando do candidato o entendimento de como aplicar os conceitos que aprendeu. Em vez de formular a questão de maneira mais seca, colocá-la dentro de um contexto, com uma apresentação antes das perguntas. ”

“Depois veio o Enem, que inicialmente não tinha divisão por disciplina nem se preocupava com conteúdo. Mas ele misturava disciplinas, adotou a interdisciplinaridade e foi decisivo na exigência de domínio da interpretação de diversas linguagens. É texto, é gráfico, é tabela, é uma pintura, é um quadrinho, é uma charge. A capacidade de tirar informação de diversas fontes, de variadas maneiras, tornou-se imprescindível para se fazer bem uma prova. Com a contextualização e a interdisciplinaridade o enunciado passou a ser decisivo. Não basta usar o conhecimento teórico, tem de encaixá-lo com a informação oferecida pelo enunciado".

 
Isso é ruim para a avaliação dos candidatos?

“Não. Nesse sentido, pode-se dizer que os vestibulares se tornaram mais complexos e de certa maneira avaliam bem as capacidades que o candidato precisa ter para entrar no Ensino Superior. Não é simplesmente conhecer o conceito, mas também entender como o domínio conceitual se encaixa nas aplicações mais relevantes, considerando a área em que ele vai se especializar. Essa ideia foi trazida para os vestibulares da Fuvest e da Unicamp – principalmente da Fuvest, que tem até uma prova dissertativa que envolve todas as disciplinas, menos Português, no segundo dia da 2ª fase. Prova escrita, pode explorar os assuntos com maior profundidade e intensidade."

 

Mudança no vestibular da Fuvest

 

Faça os simulados!