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Matemática – Menos contextualização

Prof. Alexandre Borges

Enem

A prova de Matemática do Enem 2016 manteve as principais características desse exame, com questões bastante contextualizadas e grau de complexidade predominantemente de baixo a mediano. Em grande parte das questões o candidato precisava interpretar gráficos, tabelas ou desenhos ilustrativos, importantíssimos para sua compreensão e resolução.

A interpretação de textos e a predominância de cálculos simples também marcaram essa prova, mostrando um caráter menos conteudista quando comparada aos exames anteriores.

Os temas mais abordados sofreram pouca alteração. Os mais explorados nas questões envolveram análise gráfica (tabelas e/ou desenhos), Porcentagens, Análise Combinatória incluindo Probabilidade e Estatística, Geometria (Plana e/ou Espacial) e Funções.

Por se tratar de uma prova com 45 testes, a forma de abordagem desses assuntos foi bastante diversificada, exigindo flexibilidade e leitura atenta para um bom desempenho.

Outros assuntos, em menor escala, também marcaram presença: Logaritmos, Geometria Analítica e Progressões. Algumas questões tiveram um grau de complexidade acima do tradicional aplicado pelo Enem, evidenciando a gradual aproximação de seus exames aos dos grandes vestibulares do Estado de São Paulo, como no exemplo a seguir.

  

Fuvest

Seguindo uma linha diferente, as provas da Fuvest 2017 mostraram-se bem mais exigentes que o Enem e constituíram um dos exames mais difíceis das últimas edições do vestibular da USP, tanto na 1ª como na 2ª fase.

Com pouquíssima contextualização, a 1ª fase abordou assuntos relevantes da Matemática do Ensino Médio (como Geometria, Funções etc.) e com profundidade em alguns casos, ou seja, o candidato encontrou uma prova conteudista e abrangente, porém com enunciados curtos e diretos, sem qualquer problema de má interpretação.

A presença de questões interdisciplinares sempre é um ingrediente a mais na execução do exame da 1ª fase. Nesta última prova foram cobrados conceitos de Matemática e Química na mesma questão, conforme mostrado a seguir.

  

A prova do segundo dia da 2ª fase (conhecimentos gerais) trouxe apenas uma questão de Matemática e de um tópico pouco explorado nos vestibulares em geral: Gráficos de Relações (com requintes de Programação Linear), questão contextualizada na qual o candidato deveria usar também alguns conceitos de Física.

Como essa questão continha três itens, o candidato poderia ter sua nota fracionada, visto que a complexidade aumentou gradativamente, item a item.

No terceiro dia (conhecimentos específicos) a Fuvest manteve a tradição de formular uma prova exigente e abrangente, com seis questões contemplando os principais assuntos ministrados no Ensino Médio, como Geometria (Plana e/ou Espacial), Funções e Análise Combinatória, entre outros. Em alguns casos, vários tópicos apareciam na mesma questão, exigindo interação entre os assuntos para sua total resolução, como no exemplo abaixo.

  

Unicamp

Matemática na Unicamp 2017 também se mostrou mais exigente que nos anos anteriores, principalmente na 1ª fase.

Com questões de pouquíssima contextualização, esse exame com 14 testes, sendo um deles interdisciplinar com Biologia, foi bastante abrangente, contemplando vários tópicos da Matemática do Ensino Médio (Geometria Analítica, Matrizes, Números Complexos etc.), inclusive assuntos pouco explorados como Elipse e também Conjuntos – esse último apareceu na forma de “Princípio da Casa dos Pombos”.

Alguns testes envolveram mais de um tópico, contribuindo ainda mais para a abrangência da prova. A seguir, uma questão da 1ª fase da Unicamp abordando dois assuntos em uma única questão.

  

A 2ª fase da Unicamp, que conta com apenas seis questões dissertativas com dois itens cada, ou seja, 12 itens, manteve o padrão de pouca contextualização da 1ª fase. Assuntos bastante relevantes como Funções, Equações Algébricas e Trigonometria fizeram parte do exame, mas com complexidade abaixo da 2ª fase da Fuvest.

Notou-se a ausência de alguns assuntos clássicos dos vestibulares, como Exponenciais / Logaritmos e Análise Combinatória, tanto na 1ª como na 2ª fase. Porém, como em outras edições, a Unicamp cobrou um item de demonstração de seus candidatos, o que é mostrado a seguir:

  

Vunesp

Dentre os vestibulares das estaduais paulistas, a Vunesp foi a que mais contextualizou suas questões em 2017, nas duas fases do exame.

A 1ª fase conta com apenas sete testes, de complexidade entre baixa e média, com alguns dos principais tópicos de Matemática do Ensino Médio.

Vale destacar que com frequência a prova da 1ª fase traz uma questão com abordagem diferente, em alguns casos bastante criativas, mas que podem gerar uma dificuldade a mais para os candidatos, como na questão a seguir.

  

 

A 2ª fase da Vunesp conta com apenas três questões dissertativas de Matemática, de baixa ou média complexidade e, em geral, com predileção por Geometria (Plana e/ou Espacial).

Em 2017 não foi diferente, duas das três questões do exame cobraram esses assuntos, de maneira contextualizada em um caso e puramente técnica no outro, como se pode observar na questão abaixo.

  

Unifesp

A prova da Unifesp, que é normalmente composta por cinco questões dissertativas quase totalmente contextualizadas, na edição de 2017 deixou um pouco de lado a contextualização e optou por uma prova um pouco mais técnica.

Tradicionalmente, a Unifesp tem preferência pelos assuntos Geometria (Plana e/ou Espacial), Trigonometria, Análise Combinatória e/ou Probabilidades, Exponenciais e/ou Logaritmos e Funções. No exame mais recente esses tópicos foram mantidos juntamente com outros eventualmente presentes.

O grau de exigência também se manteve em relação aos últimos exames, ou seja, questões com média complexidade caracterizaram a prova.

A seguir, um exemplo de questão puramente técnica da prova de Matemática da Unifesp 2017.