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Química – Questões claras e diretas

Prof. João Pitoscio Filho

Seguindo a tendência de anos anteriores, de modo geral os grandes vestibulares paulistas mantiveram em Química seu alinhamento com o Enem. Tanto os assuntos cobrados como o tipo das questões usadas na avaliação dos candidatos seguiram um mesmo padrão. A grande surpresa foi a “volta ao passado” dada pela Fuvest. As duas fases desse exame deixaram de lado as questões interdisciplinares e apontaram seus holofotes para os principais temas da Físico- Química. Um ponto importante a ressaltar é o fato de as questões de todos os exames terem sido escritas de maneira clara e direta, não deixando dúvidas sobre o que era pedido.

Analisando esses cinco exames como um todo, percebe-se que há predomínio claro de questões envolvendo Físico-Química e Química Geral. Mais da metade das questões desses vestibulares envolveram os dois assuntos, sendo essa uma tendência que ocorre já há algum tempo. Apesar da Química Orgânica ainda ser utilizada como “pano de fundo” em muitas ocasiões, questões desse assunto apareceram de forma mais direta em boa parte das provas. Cabe salientar que as questões de Reações Orgânicas do tipo “siga o modelo”, muito usadas até há pouco tempo, não apareceram em nenhum dos exames analisados.

 

Enem

A prova do Enem 2016 destacou-se por uma retomada de questões contextualizadas, abordando temas interdisciplinares e com temática ambiental. Novamente, Físico-Química esteve presente em mais de 25% das questões. Surpresa foi o fato de que mais de 30% da prova versava sobre Estrutura da Matéria, tópico não muito cobrado nos vestibulares.

 

 

Fuvest

Neste ano, as questões da Fuvest na 1ª fase não tiveram um teor interdisciplinar acentuado. No entanto, questões ambientais, do cotidiano e experimentos de laboratório serviram de tema para mais da metade das questões. Aparentemente, a Fuvest fez uma volta ao passado, tendo Físico-Química como seu carro-chefe. Prova muito bem elaborada e exigente, apesar de menos da metade das questões ter exigido cálculos matemáticos para sua resolução.

 

Apropriada ao público-alvo, a prova do segundo dia da 2ª fase da Fuvest 2017 teve como foco a Química Geral, cujas questões mantiveram a tendência de usar temas interdisciplinares e atuais para avaliar os candidatos. Com questões bem escritas, e temática atual, a prova exigiu alguns conceitos de Matemática e de Biologia para sua resolução.

 

Prova exigente no terceiro dia da 2ª fase. Fazendo uma mescla de assuntos ligados à Físico-Química e à Química Geral e usando a Química Orgânica como tema em algumas questões, a prova foi fundamentada nos principais tópicos da Química, sem preocupação com a interdisciplinaridade.

 

 

Unicamp

A banca examinadora da Unicamp produziu uma prova com alto nível de contextualização, abordando temas comuns ao cotidiano do candidato. Com um formato que privilegiou a análise e a interpretação de textos e a necessidade de sólida formação conceitual, poucas questões exigiam cálculos matemáticos. Novamente, a dupla Química Geral e Físico-Química esteve presente em mais de 70% das questões.

 

Mesclando temas do cotidiano com assuntos tradicionais em Química, a prova da 2ª fase da Unicamp manteve a tendência de abordar temas ligados à Físico-Química, à Química Ambiental e à Química Geral. Não havia nenhuma questão envolvendo Química Orgânica de maneira direta. Apesar disso, a prova foi bastante equilibrada em seu conteúdo.

 

 

Vunesp

Com uma boa distribuição entre os principais tópicos da matéria, a prova de Química da 1ª fase da Vunesp contou com questões diretas e claras, porém, abordou temas distantes do cotidiano dos candidatos, sem se preocupar com contextualização ou interdisciplinaridade.

 

Tendo apenas três questões para avaliar os conhecimentos de Química dos candidatos, a Vunesp cobrou na 2ª fase os temas centrais da disciplina, Físico-Química, Química Geral e Química Orgânica, sendo que esta última não aparecia nessa fase do exame há bastante tempo. Foi uma prova equilibrada, com questões bem elaboradas, diretas e de baixa complexidade.

 

 

Unifesp

O vestibular da Unifesp 2017 não abordou temas da área de saúde, que normalmente serviam de contexto para a elaboração das questões de Química. Todas as cinco questões tinham dois itens versando sobre dois assuntos distintos, ou seja, apesar da questão tratar de um único tema, cada item cobrava um assunto diferente. Essa medida permitiu uma avaliação mais abrangente dos candidatos pelos examinadores. Como de costume, Físico-Química e Química Geral predominaram, mas outros assuntos, como Química Orgânica e Estrutura da Matéria, também estiverem presentes. Tratou-se de um exame abrangente, que aferiu bem o nível de conhecimento dos candidatos.