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História - Com Sociologia e Filosofia

Prof. Thomas Wisiak

Enem

A prova de História do Enem 2016 seguiu a tendência de um maior número de perguntas sobre História do Brasil: sete questões sobre o período republicano e três sobre o período colonial. Entraram ainda duas questões de História Geral Contemporânea, que abordaram a segregação racial na África do Sul (Apartheid) e a Revolução Iraniana de 1979, além de uma questão sobre História Antiga, mais especificamente a expansão territorial romana.

De maneira geral, foram abordados assuntos considerados clássicos no estudo de História do Brasil, como escravidão, inconfidências, cafeicultura, clientelismo, trabalhismo e desenvolvimentismo. No entanto, a prova apresentou um nível relativamente alto de exigência em exercícios que dependiam de um conhecimento mais específico acerca de um período, como a Operação Condor, no caso dos regimes militares no Cone Sul do século XX, e um bom domínio de vocabulário, como no caso da expressão “conflitos laboriais” durante a Era Vargas ou o significado de “etnocentrismo” para analisar a questão indígena no Brasil.

A prova também seguiu a tendência de se apoiar na habilidade de analisar imagens, como na questão sobre a atuação da Igreja Católica no Brasil colonial do século XVII ou sobre a cafeicultura de exportação no início do século XX.

Podemos dizer que para enfrentar com tranquilidade a prova de História do Enem é necessário dominar os principais conteúdos do programa do Ensino Médio – especialmente a linha do tempo (cronologia) e vocabulário (conceitos) – e treinar interpretação de texto e análise de imagens.

 

Sociologia – A prova de Sociologia do Enem apresentou temas já consagrados, como patrimônio histórico e cultural (questão nº 1), questões de gênero (questão nº 45), globalização e organização do trabalho (questão nº 8), o pensamento de Durkheim, noções sobre democracia, formação da cultura e da identidade nacional brasileira, além de indústria cultural (questão nº 29), modernidade e tecnologia e cultura.

Trata-se de uma prova abrangente, preocupada com os diversos aspectos da vida social e cultural, com destaque para o desenvolvimento de formas de identidade no passado e no presente e suas manifestações econômicas, políticas e sociais. Também chama a atenção na prova um olhar voltado às vicissitudes do mundo do trabalho.

Filosofia - Na prova do Enem a Filosofia tem uma presença bastante significativa se comparada com outros grandes vestibulares. As questões abordaram principalmente escolas do pensamento filosófico, como o niilismo, o estoicismo, o racionalismo, o ceticismo e o existencialismo. Além disso, predominaram os temas da ética e da política, seguindo uma tendência observada nos últimos anos.

O domínio das linhas gerais da história da Filosofia no Ocidente é importante para ajudar o candidato a interpretar os enunciados e identificar as respostas corretas em cada questão, sendo que a prova costuma citar diversos autores, como Descartes (questão nº 22), Nietzsche (questão nº 5) ou Schopenhauer (questão nº 18).

 

 

 

Fuvest

Quase metade das questões de História da 1ª fase da Fuvest 2017 se caracterizou por um nível elevado de complexidade, além de longos textos e vocabulário exigente.

A prova trouxe mais de dez questões muito bem distribuídas pelas diversas partes do programa e soube se aproveitar das relações com outras áreas do conhecimento, como literatura e artes. Por exemplo, a difícil questão sobre Vidas Secas, de Graciliano Ramos, exigia que o candidato conhecesse muito bem a cronologia do Brasil republicano e a questão social. No caso das artes, exigiu-se um conhecimento razoável da arquitetura barroca, além das principais características do modernismo. Um bom conhecimento de literatura, por sua vez, ajudaria a responder a questão de história sobre cultura medieval e o mito arturiano (questão nº 24).

A prova também abordou temas clássicos no estudo da História, como a polis grega, – se bem que numa interface com Filosofia, ao tratar de ética e política, além do Renascimento europeu e das Inconfidências no Brasil do final do século XVIII.

A habilidade na interpretação de tabelas e gráficos foi fundamental para responder uma questão sobre a Revolução Industrial na Inglaterra e na Bélgica, enquanto a experiência na interpretação de textos certamente ajudou a responder questões sobre modernismo e regionalismo (texto de Gilberto Freyre) e a Lei de Anistia de 1979 (texto de Darcy Ribeiro). Já a prática na análise de imagens e o domínio de temas da atualidade contribuíram para resolver uma questão sobre os refugiados da guerra na Síria.

 

Na 2ª fase a prova da Fuvest exigiu a habilidade de estabelecer diversas comparações, como, por exemplo: a cidade antiga, medieval e moderna; os negros e os direitos civis nos EUA do século XIX e na década de 1960; as revoluções agrícolas na Pré-História e na Época Medieval; a política e a sociedade brasileiras nos anos 1840 e 1920; o conhecimento científico na antiguidade clássica e no mundo moderno.

 

 

Unicamp

Na 1ª fase da Unicamp foram formuladas questões que abordaram temas clássicos do estudo de História, como os quilombos no Brasil colonial ou o nazismo no Entreguerras, e também questões bastante complexas na relação entre imagem e texto, como no caso da República brasileira e suas representações.

A prova seguiu a tendência de um número maior de questões da História Geral Contemporânea e Brasil República, com destaque para a questão social – como a condição da mulher operária na Europa do século XIX – e cultura brasileira – como no caso do Tropicalismo, e chamou a atenção uma questão interdisciplinar com Biologia sobre a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, apesar das alternativas controversas.

 

Na 2ª fase, a Unicamp exigiu conhecimento mais específico sobre a História da África portuguesa, numa clara referência à lista de leituras obrigatórias, e um grande domínio da cronologia e contextualização, como no caso da comparação da situação política do México em 1910 e 1968, além do ativismo juvenil no Brasil pós-1960.

 

Sociologia – Cultura de massas e identidades culturais: Em Sociologia, o vestibular da Unicamp abordou na 1ª fase os temas da cultura de massas (questão nº 52) e o desenvolvimento de identidades culturais (questão nº 55), o que mostra uma preocupação com o processo de constituição de identidades de uma maneira geral.

Filosofia – Na Unicamp, questões dependem de interpretação de textos: Na Unicamp a presença de Filosofia tem sido bastante modesta em comparação com Vunesp e Enem, geralmente trazendo questões que dependem de interpretação de texto e noções básicas da história da filosofia ocidental, como no caso da questão nº 7, sobre Sêneca, representante do estoicismo.

 

Vunesp

A prova da 1ª fase da Vunesp trouxe temas clássicos no estudo de História, como a polis grega, a pintura renascentista, a sociedade mineradora do século XVIII, Guerra do Paraguai e Regime Militar, se bem que com predomínio de questões sobre o Brasil republicano.

O candidato treinado na leitura e interpretação de textos teve sem dúvida mais facilidade para responder as questões, que de maneira geral se caracterizaram por um nível básico e médio de complexidade.

 

Em História, na 2ª fase a Vunesp seguiu a tendência de abordar temas clássicos, como escravidão no Brasil do século XIX e Era Vargas, exigindo, no entanto, experiência com análise de imagens e contextualização.

 

Sociologia – Alienação do trabalho, questões de gênero, indústria cultura: A prova de Sociologia da Vunesp é bastante enxuta, tendo abordado na 1ª fase temas clássicos como alienação do trabalho (questão nº 44), questões de gênero (questão nº 56) e indústria cultural (questão nº 57). Para a compreensão dos enunciados e perfeito entendimento da intenção das perguntas são fundamentais a prática com interpretação de textos e o domínio de vocabulário da disciplina.

Filosofia – Presença forte no exame e 2ª fase mais exigente: No vestibular para a Unesp, Filosofia tem tido presença quase tão significativa quanto na prova do Enem, com destaque para o tema da ética e para a interpretação de textos, especialmente na 1ª fase (questões nº 55 e nº 60). Já na 2ª fase a prova costuma ser mais exigente, levando o aluno a estabelecer comparações entre textos, escolas de pensamento e pensadores, como no caso de John Locke e Jean-Jaques Rousseau, ou as diferenças entre o liberalismo e o socialismo (questão nº 10).