LEITURAS OBRIGATÓRIAS


Os professores do ETAPA comentam alguns dos livros exigidos como leitura obrigatória nos seguintes vestibulares:

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ETAPA - Comentário do livro Iracema

IRACEMA

Autor: José de Alencar

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: Romantismo brasileiro, século XIX.

Características

Estilo: ousado e inovador. José de Alencar rompeu com padrões estilísticos e gramaticais do português literário do século XIX. Procurou criar uma língua brasileira, usando vocábulos de origem indígena. Extremamente lírico, Iracema transformou-se em um dos mais louvados poemas em prosa da literatura brasileira. Alencar utiliza adjetivação e comparações abundantes, pontuação excessiva e períodos coordenados.

Narrador: embora às vezes utilize a 1ª pessoa ao se colocar na narrativa, o romance é predominantemente narrado em 3ª pessoa.

Cenário: primórdios da colonização, século XVII, com a chegada dos primeiros portugueses em terras brasileiras, ainda virgens. O autor fantasia o enredo, o espaço e o tempo ao criar uma lenda que metaforiza as origens do Ceará.

Personagens:

• Iracema: a virgem dos lábios de mel, guardiã da bebida sagrada de jurema, filha do pajé da tribo tabajara, o velho Araquém. Mulher de fibra, corajosa, que não hesita em abandonar seus valores, sua tribo, sua família e sua condição de sacerdotisa para entregar-se e viver um grande amor. Simboliza a terra brasileira: dócil, mas enérgica, acolhedora e pronta para receber o estrangeiro amigo. Simboliza também o processo de aculturação que o indígena brasileiro sofrerá.

• Martim Soares Moreno: guerreiro branco, amigo dos pitiguaras (habitantes do litoral), inimigo dos tabajaras. Representante do colonizador português, é enaltecido como bravo, valente, fiel, cristão, pronto a enfrentar os perigos para proteger os interesses de sua pátria. Envolve-se com Iracema, embora guarde lembranças da virgem branca que deixou em Portugal.

• Poti: guerreiro pitiguara, amigo de Martim, a quem dedicava uma lealdade ímpar. É exemplo do índio aculturado que se torna cristão.

• Caubi: irmão de Iracema, índio tabajara, exemplo de lealdade e dedicação fraterna.

• Irapuã: cacique da tribo dos tabajaras, vingativo e mau. Apaixonou-se por Iracema e por ela foi capaz de investir e incentivar a luta contra os guerreiros liderados por Martim e Poti.

• Moacir: filho de Iracema e Martim, simboliza o nascimento do primeiro brasileiro.

Enredo: Publicado em 1865, o livro Iracema recebe o subtítulo “lenda do Ceará”. Exemplo do indianismo romântico, carrega o fardo idealista de heroísmo e pureza sem mácula, valorizando o passado nacional para justificar o presente – a independência política de Portugal. Iracema, “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira”, é filha do pajé da tribo tabajara e sacerdotisa da tribo. Apaixona-se pelo guerreiro português Martim, mas o amor é impossível, por ser ela a guardiã da bebida sagrada de jurema, devendo sempre manter-se casta. Ao tornar-se esposa de Martim, abandona a tribo e rompe com suas tradições. Martim e Iracema vivem um belo amor na floresta, mas os trabalhos de guerra separam os felizes esposos. A índia dá à luz uma criança – Moacir, o filho da dor –, símbolo da união do branco com o índio, que marca a origem do povo brasileiro. Ao retornar, Martim encontra Iracema à beira da morte. Enterra-a ao pé de uma palmeira: o lugar passa a se chamar “Ceará”. Martim parte para Portugal em companhia do filho e retorna quatro anos depois, para implantar a fé cristã.