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ETAPA - Comentário do livro Memórias póstumas de Brás Cubas

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

Autor: Machado de Assis

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: realismo.

Características

Estilo: linguagem clara, precisa, enxuta. Exploração do aspecto psicológico. Capítulos curtos, digressões com finalidade argumentativa, reflexiva ou explicativa. Constantes interferências do narrador por meio de comentários/diálogos dirigidos ao leitor. Ironia, pessimismo, humor.

Narrador: 1a pessoa, Brás Cubas. Narrador onisciente, já morto. Analítico, cético.

Cenário: Rio de Janeiro, século XIX, camadas mais privilegiadas.

Personagens:

• Brás Cubas: personagem-narrador. Apresenta-se como morto que pretende analisar sua vida e a sociedade que o cerca, e, por meio disso, registra a hipocrisia das instituições burguesas. Sua forma de ver o mundo permite a escrita de um romance de memórias em que sobressaem símbolos e metáforas com as quais coloca a volubilidade perante o mundo e a inefabilidade em relação a outros personagens.

• Marcela: prostituta espanhola, conhecedora profunda da arte de seduzir. Primeira experiência amorosa do narrador, que durou “quinze meses e onze contos de réis”.

• Virgília: filha do conselheiro Dutra, jovem sedutora que encantou Brás Cubas. Ambiciosa, trocou o narrador-personagem por Lobo Neves, que lhe prometera um título de nobreza. Tornou-se amante de Brás Cubas.

• Eugênia: filha ilegítima de D. Euzébia e Vilaça, por isso chamada de “flor da moita”. Coxa de nascença. Brás Cubas teve um breve namoro com ela tão logo retornou da Europa.

• Quincas Borba: filósofo fundador de uma teoria filosófica chamada Humanitismo, que pode ser resumida na máxima “Ao vencedor as batatas”. Colega de escola do narrador, torna-se mendigo e rouba o relógio de Brás Cubas. Herda enorme fortuna e aproxima-se do antigo colega. Morre louco após queimar todos os seus manuscritos.

• D. Plácida: viúva e antiga ama de Virgília. Acoberta as relações ilícitas de Brás Cubas com Virgília mediante pequeno pecúnio.

• Outros personagens: Sabina (irmã de Brás Cubas), casada com Cotrim. Arranja um casamento para o irmão com Nhá Loló, que não chegou a ser consumado, pois a jovem faleceu. O pai de Brás Cubas interfere no relacionamento com Marcela, manda o filho para Europa e arranja seu relacionamento com Virgília, visando colocá-lo na política.

Enredo: romance datado de 1881, torna-se um divisor de águas na obra de Machado de Assis e na literatura brasileira. Antes dele, o Romantismo; depois, o Realismo. Escrito em primeira pessoa por um defunto autor, isto é, por um morto que se propõe a repassar sua vida escrevendo suas memórias.
Paradoxalmente, Brás Cubas morreu perseguindo a imortalidade. Ao idealizar um emplasto que levaria seu nome, contrai uma pneumonia e falece com pouco mais de sessenta anos. Após revelar algumas características de sua morte e dos momentos finais da vida, o narrador-personagem dá um salto e volta à infância, revela suas origens familiares, relata o caso amoroso com a prostituta espanhola Marcela, que o amou por “quinze meses e onze contos de réis”, narra sua paixão por Eugênia, a quem abandona por ser coxa e, finalmente, revela seus amores adúlteros por Virgília, esposa de Lobo Neves.
Brás Cubas é um hábil observador e revela as hipocrisias da sociedade em que vive, sempre tingindo a realidade com boa dose de humor e ironia. Destaca-se ainda no livro o reencontro com o filósofo Quincas Borba, autor de uma saborosa doutrina filosófica – o Humanitismo – sintetizada na máxima “ao vencedor as batatas”. O estilo de Machado de Assis é único. Em linguagem concisa e precisa, procura dar vazão a seu dom de observar com olhos críticos a sociedade mais abastada do Rio de Janeiro, bem como a alma humana e suas fraquezas.
A segunda metade do século XIX é retratada por meio das relações humanas e sociais, tingidas com as marcas machadianas por excelência: pessimismo, ironia e humor. Destacam-se capítulos que são verdadeiras joias do romance brasileiro, entre eles, “O velho diálogo de Adão e Eva”, “Das negativas”, “O delírio” e “O que escapou a Aristóteles”, sem esquecer a irônica e bem-humorada dedicatória feita ao verme que primeiro roeu suas frias carnes.