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ETAPA - Comentário do livro A relíquia

A RELÍQUIA

Autor: Eça de Queirós

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: Realismo (Portugal) – Publicado em 1887, romance/ farsa escrito entre a segunda e a terceira fase do autor.

 

Características

 

Estilo: linguagem correta, perfeita, com pleno domínio do léxico. O estilo flui sem interrupções, preciso, contínuo e maleável. O volume é vazado dosando a ironia, a irreverência, a sátira e, no dizer do próprio autor, o valor do livro está “no realismo fantasista da Farsa”.

 

Narrador: narrado em primeira pessoa por Teodorico Raposo, apelidado de Raposão.

 

Cenário: os círculos de uma sociedade de valores burgueses, movida pela religião, cercada pelo clero corrupto e interesseiro. Também focaliza os círculos boêmios das rodas estudantis. Boa parte do livro gira em torno da visão de Teodorico e sua viagem a Jerusalém.

 

Personagens:

 

Teodorico Raposo: órfão aos sete anos, ele teve sua “educação” orientada por uma tia extremamente beata. A formação do caráter do personagem está entre a necessidade de prestar contas à tia, fanática religiosa, e o interesse em herdar a grande fortuna dela, ao mesmo tempo em que leva uma vida libertina. “Raposão” passava o dia a visitar igrejas para cair nas graças e herdar a fortuna da tia, mas, às escondidas, era desregrado, mentiroso, libertino e enganador. Nesse sentido, o livro assum e um tom picaresco, por meio de um personagem hipócrita, que finge ser religioso, para melhor gozar a vida, em uma trama de peripécias e aventuras cômicas, típicas das comédias farsescas. A ação focaliza o personagem desde menino, a sua vida de interno de um colégio religioso até a formação em Direito em Coimbra e os conflitos amorosos da vida adulta. O ponto insólito da trama é o financiamento feito pela tia para que “Raposão” viajasse em peregrinação às terras sagradas em busca de uma relíquia para o oratório da tia.

 

Dona Patrocínio das Neves (Titi): tia solteirona de Teodorico, custeia os estudos do sobrinho órfão. Extremamente rígida, riquíssima e católica fanática, vive cercada pelo clero interesseiro e hipócrita. Deserda o sobrinho e divide sua enorme fortuna entre padres e outros de seu convívio. Para o sobrinho, deixa apenas seus óculos.

 

Padre Negrão: padre adulador, assíduo frequentador da casa de Dona Patro cínio das Neves, é o mais indignado acusador da farsa de Teodorico. Herda boa parte da fortuna da velha beata após desmistificar Raposão e causar seu deserdamento. Torna-se amante de Adélia, antiga amante de Teodorico.

 

Tópsius: alemão, doutor e arqueólogo, orienta o Teodorico na peregrinação aos lugares santos de Jerusalém. Acredita que a Alemanha “é a mãe espiritual dos povos”. É uma espécie de caricatura do intelectual acadêmico.

 

Enredo: Teodorico Raposo, órfão, passa a viver em Lisboa com uma tia velha e religiosa fanática. Tem sua educação financiada pela tia, primeiro em um colégio interno da capital, e, em seguida, ingressa no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde passa a participar da roda boêmia estudantil, mas não se esquecendo de adular a tia, escrevendo-lhe cartas mentirosas e falsamente beatas para garantir sua herança. De férias, em Lisboa, finge seu fervor religioso percorrendo igrejas, sempre interessado na fortuna da velha. Acabado o curso em Coimbra, convence a tia de patrocinar uma viagem aos lugares santos da Palestina garantindo-lhe que lhe trará uma relíquia, convertida em uma coroa de espinhos que o companheiro de viagem Tópsius garante ser a mesma que serviu a Cristo. No entanto, vive uma vida de orgias. Uma noite Teodorico tem uma visão ou um sonho com a morte de Cristo, que ele reconstitui em uma longa narrativa. Ao retornar a Lisboa, leva sua “relíquia” que, sem querer, fora trocada por um presente que Mary, uma luveira inglesa com quem fizera amor em Alexandria, dera-lhe. No oratório da casa da tia, ele desembrulha uma camisola. O padre Negrão veementemente o condena, a tia o deserda. Raposão, sem rumo, passa a viver da venda de relíquias, inflacionando o mercado que logo decresce dada a grande quantidade de objetos “sagrados” postos em circulação. Por acaso, encontra um antigo companheiro de estudos que lhe arranja um emprego. Casa-se com a irmã desse, e parece regenerado. Já comendador, com filhos e proprietário, ao saber da divisão da fortuna da tia e da herança do padre Negrão, Teodorico ironicamente pensa que uma pequena mentira poderia ter-lhe dado as vantagens de uma vida confortável. Finaliza a obra reconhecendo seu erro de não dizer que a camisola pertencera a Maria Madalena.