Leituras Obrigatórias


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ETAPA - Comentário do livro Minha vida de menina

MINHA VIDA DE MENINA

Autora: Helena Morley

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: De difícil classificação, o livro escrito entre os anos de 1893 e 1895 cai no gosto dos modernistas brasileiros desde o lançamento em 1942. Até hoje, são diversas edições que se transformam em um clássico no gênero em que foi escrito.

Características

Estilo:  Leve e solto como deve ser o escrito de uma menina-moça. A narradora utiliza uma linguagem clara, precisa, sem meandros, simples e informal, com muitas passagens próximas do coloquial. Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant, ambienta seu livro no interior de Minas Gerais e registra com fidelidade a vida de Diamantina no final do século XIX, sempre usando a espontaneidade como forma de se referir a si mesma, a suas dúvidas e anseios.

Momento histórico:  Em uma época de grandes transformações sociais marcadas pela Abolição e pela Proclamação da República, o diário da menina mostra os impactos que os acontecimentos históricos provocaram na população e como as famílias conviviam com os ex-escravos (recém-libertos) e com as notícias do novo regime político. Diamantina permanece praticamente esquecida de grandes movimentações políticas, mas são comuns as opiniões emitidas por partidários de pontos de vista específicos.

Estrutura:  Escrito entre 1893 e 1895 (precisamente de 5 de janeiro de 1893, quinta-feira, a 31 de dezembro de 1895, terça-feira) por sugestão do pai, a menina-moça Helena revela, por meio de um diário, aspectos de sua vida em Diamantina, Minas Gerais. Ela relata episódios marcados pelo humor ou anedótico, histórias do cotidiano da cidade, da vida da família, da riqueza proveniente dos diamantes e das minas, das dificuldades vividas pelo pai – que não obtinha bons lucros nas escavações –, da vida escolar, entre outras. Como não há uma linearidade narrativa, apenas uma cronologia, o livro pode ser lido aleatoriamente, sem que a leitura fique truncada ou prejudicada. O livro termina abruptamente, despertando a curiosidade do leitor que, de repente, fica órfão e pressente que existem muitas outras coisas a serem contadas e que foram propositalmente omitida

Personagens:

•Helena:  Personagem-narrador, inteligente, crítica, agitada, comunicativa, prática e insubmissa. Estudante da Escola Normal, instituição responsável pela formação de professores. Seu respeito aos negros, aos mais velhos e à família e sua rigidez de conduta a tornam uma representação da mulher independente e forte.

•Carolina Morley:  Mãe de Helena, abnegada, religiosa, de “riso solto”, casada por amor e responsável pela família, enquanto o marido vive nas minas.

•Alexandre Morley:  Pai de Helena, representa valores ingleses. Passa boa parte do tempo na lavra, mas não consegue sucesso nas extrações. Tem a vida nos eixos somente quando lhe oferecem um emprego na Companhia Boa Vista.

•Teodora:  Avó de Helena, viúva, rica, tinha negros escravizados e, com a Abolição, decide mantê-los, agora libertos, em sua chácara. Seu filho Geraldo é quem tomava conta de sua fortuna e não deixava margem para gastos "extras", como, por exemplo, auxiliar a filha, Carolina. Religiosa e defensora dos valores da Igreja, tem um carinho especial por Helena.

•Tia Madge:  Inglesa, irmã de Alexandre, procura educar Helena, ensinando-lhe economia e etiqueta. Espera fazer da moça sua sucessora, para que Helena tenha independência.

•Outros personagens:  Renato, irmão mais velho; Luisinha, mais nova que Helena; Nhonhô, mais novo e pouco presente na obra. São frequentes as citações a tios, parentes, vizinhos, primos e agregados.