Leituras Obrigatórias


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ETAPA - Comentário do livro Vidas secas

VIDAS SECAS

Autor: Graciliano Ramos

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: Modernismo (2a geração/1930 -1945).

Características

Estilo: seco e econômico. O autor usa poucas palavras, e palavras exatas. A adjetivação farta, os ornamentos linguísticos, a expressão rara, etc. cedem lugar a uma redação concisa. As frases são curtas, diretas e nos remetem apenas ao essencial, ao “concreto” descrito nas cenas. Por meio de seu estilo e vocabulário, Graciliano Ramos ambienta seu livro no mundo desolador das secas, que, em muitas passagens, remete o leitor às características do Naturalismo.

Estrutura: Vidas secas é o último romance de Graciliano Ramos e a única experiência do autor com foco narrativo em terceira pessoa. A obra é construída em forma de espiral, cujo início fechado (“Mudança”, cap. 1) abre-se no final, com o último capítulo (“Fuga”) conduzindo as personagens para um destino inusitado, mas que mantém o elo da desdita, da miséria, da fome e da pobreza. Entre os dois capítulos-limite são constituídos 11 quadros, que, aparentemente, nada têm em comum a não ser os personagens e a paisagem. Um tênue fio narrativo faz o leitor conhecer a história de uma família de retirantes nordestinos que foge da seca, encontra período de passageira estabilidade e parte novamente em retirada, quando as chuvas deixam de cair, prenunciando novo período de seca. A economia (de estilo, de linguagem, de vida e de cenário) pode ser destacada como característica básica do volume.

Personagens:

•Fabiano: homem rude, de pouco falar. Assusta-se com o desconhecido, é desconfiado e manipulado pelos poderosos. Identifica-se com os bichos, o que denuncia a condição subumana a que está confinado. Seu modo de ser e de viver muitas vezes aproxima-o do modo de ser e viver de um animal, no processo conhecido como zoomorfização.

• Sinha Vitória: versão feminina de Fabiano. Seu sonho é ter uma cama de couro, igual à de seu Tomás da bolandeira.

• Os meninos: referidos como “o menino mais novo” e “o menino mais velho”, não recebem nomes. O texto deixa entender que os garotos perpetuarão o mesmo tipo de vida dos pais, compondo um círculo vicioso.

• Baleia: a cadela é a personagem que mais se assemelha a um “ser humano”. É solidária, atenciosa e amiga. Baleia é o elemento que confere humanidade ao grupo, sendo exemplo de antropomorfização.

• Soldado amarelo: símbolo do poder autoritário, que subjuga Fabiano e todos aqueles que como ele vivem.

Enredo: o volume não tem um enredo propriamente dito. É composto por 13 quadros que acompanham uma família de retirantes, desde "Mudança" (1º cap.) até "Fuga" (13º cap.) numa estrutura circular. Entre os dois quadros, encontram-se Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e uma cadela que sofrem as agruras de uma terra seca e pouco produtiva. A família tem um breve período de estabilidade em uma fazenda abandonada. Com a volta do proprietário, Fabiano coloca-se diante de um poder amplo que se apodera gradativamente de suas forças de trabalho e de seus poucos bens. Ele também tem um encontro com as forças policiais que constituem o poder estabelecido, e enfrenta, sem saber, algo que desconhece: o soldado amarelo. Uma série de desgraças ocorre: a família perde a cadela Baleia - muitas vezes foi responsável pela sobrevivência deles - e são amedrontados pela perspectiva de um novo período de seca. Só lhes resta fugir para outro lugar desconhecido, que poderia ser no mesmo meio ou uma cidade. Acompanha-os uma breve esperança, mas, possivelmente, novas desilusões.