Leituras Obrigatórias


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ETAPA - Comentário do livro Claro enigma

CLARO ENIGMA

Autor: Carlos Drummond de Andrade

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: Modernismo (2a geração/1930 -1945).

Características

Claro enigma, publicado em 1951, reúne 41 poemas distribuídos em seis seções:
“I. Entre lobo e cão” (18 poe mas); “II. Notícias amorosas” (7 poemas); “III. O menino e os homens” (4 poemas); “IV. Selo de Minas” (4 poemas); “V. Os lábios cerrados” (6 poemas); “VI. A máquina do mundo” (2 poemas). A epígrafe, recolhida de Paul Valéry -“Les événements m’ennuient”- (“Os acontecimentos me entediam”) revelam a desilusão do poeta que vê desmoronarem suas convicções ideológicas: o socialismo não foi solução e a visão do tempo e do homem, pós-2a Guerra, o entediam e o fazem refletir. A introspecção está acentuada e sua visão de mundo transcende a esperança que vislumbrou no livro anterior A rosa do povo.
Desconstroem-se os arquétipos, o poeta sente-se mais deprimido e melancólico e sua visão de mundo fecha-se no confronto entre o eu e o mundo. Entre os poemas que compõem o livro, “A máquina do mundo” é considerado pela crítica um dos mais belos e intrincados da literatura brasileira. O título remete a Os Lusíadas, de Camões, no episódio em que a deusa Tétis mostra a Vasco da Gama as engrenagens da máquina do mundo. O eu lírico recebe a visita da máquina e a desdenha, recusando-se a conhecer e desvendar a história.

I. Entre lobo e cão: nos 18 poemas que compõem a primeira parte de Claro enigma é possível constatar não somente os preceitos concei tuais que nortearão o poeta, como a proposta estética que recuperará as formas tradicio nais do fazer poético, utilizando versos mais longos e metrificados. Coe xistem ao lado dos versos livres, prosaicos. Continuam constantes o apelo à metalinguagem e aos desconcertos do mundo, o pessimismo e a maneira de dialogar com aspectos da filosofia, pontuados por algumas questões existenciais. Compõem esta seção os poemas: “Dissolução”, “Remissão”, “A ingaia ciência”, “Legado”, “Confissão”, “Pergun tas em forma de cavalo-marinho”, “Os animais do presépio”, “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, “Um boi vê os homens”, “Memória”, “A tela contemplada”, “Ser”, “Contemplação do branco”, “Sonho de um sonho”, “Cantiga de enganar”, “Oficina irritada”, “Opaco” e “Aspiração”.

II. Notícias amorosas: essa parte é dedicada à temática amorosa. O poeta faz reflexões sobre o amor e os desencontros da relação que acarretam sofrimento. Fazem parte de “Notícias amorosas” os seguintes poemas: “Amar”, “Entre o ser e as coisas”, “Tarde de maio”, “Fraga e sombra”, “Canção para álbum de moça”, “Rapto” e “Campo de flores”.

III. O menino e os homens: o poeta revisita a memória e a lembrança da família e dos entes queridos. São poemas marcados pelo pessimismo. Nessa parte estão: “A um varão que acaba de nascer”, “O chamado”, “Quintana’s bar” e “Aniversário”.

IV. Selo de Minas: traz a marca pessoal e autobiográfica, temas que acompanham o poeta desde a publicação de Alguma poesia. As Minas Gerais são evocadas a partir de seus elementos históricos, marcados por um memorialismo saudosista e tristonho. Estão nessa parte: “Evocação Mariana”, “Estampas de Vila Rica”, “Morte nas casas de Ouro Preto”, “Canto negro” e “Os bens e o sangue”.

V. Os lábios cerrados: poemas que mostram um Drummond mais recolhido, rememorando as lembranças do pai, fazendo reflexões sobre a passagem do tempo e a chegada da morte, são eles: “Convívio”, “Permanência”, “Perguntas”, “Carta”, “Encontro” e “A mesa”.

VI. A máquina do mundo: parte final, em que o poeta parece resumir as reflexões de toda a obra, permanecendo seu descaso com o mundo e as soluções fáceis são descartadas. Somente dois poemas finalizam a obra: “A máquina do mundo” e “Relógio do Rosário”.