Leituras Obrigatórias


Os professores do ETAPA comentam alguns dos livros exigidos como leitura obrigatória nos seguintes vestibulares:

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ETAPA - Comentário do livro Sagarana

SAGARANA

Autor: Guimarães Rosa

COMENTÁRIOS ETAPA

Movimento literário: Modernismo (geração pós-1945).

Características

 Sagarana é o livro de estreia de João Guimarães Rosa. Publicado em 1946, chega louvado pela crítica, que não hesitou em apontar-lhe características de um estilo renovador e qualidades de um ficcionista astuto e observador. O volume é composto de um conjunto de nove histórias, as quais o autor chama de estórias, estabelecendo a diferença entre esses termos na contraposição ciência/realidade/ficção. Ligadas entre si pelo espaço em que transcorrem as ações, focalizam o regional mineiro, captando os aspectos físicos, sociológicos e psicológicos do homem e do meio interiorano. O volume revolve o mundo regional dos “causos” veiculados pela tradição oral, vazados em uma linguagem híbrida em que se fundem o coloquial e o refinamento da linguagem erudita, requintada e criativa de Guimarães Rosa.
Das novelas de Sagarana, duas são relacionadas com animais (“O burrinho pedrês” e “Conversa de bois”), mas não apresentam o sentido de fábula porque os bichos não são humanizados. Os bois e o burrinho agem, pensam e falam como se o autor conseguisse captá-los como bichos que são, desnudando-lhes a vida interior, como se eles agissem e pensassem com a autoridade e a consciência de um ser (ir)racional. As demais novelas apresentam a fixação de costumes e aspectos marcantes da vida regional: a miséria física e psicológica dos doentes de maleita, em um diálogo arrastado e entremeado por surtos da febre (“Sarapalha”); a crônica dos valentões que burlam a lei e tornam-se intocáveis, mas que podem ter a sorte revertida se houver a interferência de forças sobrenaturais (“Corpo fechado”); o caso de feitiçaria que cega momentaneamente o protagonista e lhe serve de aprendizado (“São Marcos”); as malandragens de um ladino cabo eleitoral que vende a esposa e depois a recupera de graça (“Traços biográficos de Lalino Salãthiel”); casos de amor e de articulação política (“Minha gente”); e duas histórias que envolvem perseguições (“O duelo” e “A hora e vez de Augusto Matraga”), essa última considerada a mais perfeita realização do volume.